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A H2O é uma só…

A terra é muito chamada planeta água, tamanha a sua quantidade – cerca de 70%-, a despeito de grande parte desta água ser salgada dos oceanos, ainda assim, por que estamos vivenciando a escassez de água no mundo? Algo a se refletir, questionar, e principalmente começar a agir. Afinal qual ecossistema sobrevive sem água, seja superficial ou subterrânea, e principalmente, de qualidade? Um dos grandes paradigmas da sociedade pós-moderna é a escassez de água em vários países. Comumente são reportados que teremos o início de conflitos entre países devido à escassez de água. Discutir o uso da água, sua qualidade, e de onde extraí-la é uma questão de segurança hídrica global, mas que demanda muitas reflexões.

A prioridade de uso da água, estudos e gestão sempre foi para a água superficial, isto também porque os aquíferos são pouco conhecidos pela ciência – a chamada água que ninguém vê! No entanto, há um tempo o uso da água subterrânea é uma realidade, o que é justificado pelos mananciais superficiais quase que totalmente comprometidos em qualidade.

A água que ninguém vê abaixo de nossos pés é cerca de cem vezes mais abundante que aquela que aflora na superfície, na forma de rios e lagos, de acordo com a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS). Estima-se que o volume total dos mananciais subterrâneos, no mundo todo, ultrapasse 5 milhões de km3. A Unesco reporta que pelo menos metade da população mundial é hoje abastecida por essas águas e todos os países a utilizam. Na Alemanha, França e Itália, a dependência de aquíferos para o abastecimento público varia de 70% a 90% do total de água consumida. Para acessar esses reservatórios, já foram perfurados em todo planeta 300 milhões de poços, 100 milhões somente nos Estados Unidos, ainda segundo a Unesco. No Brasil, grande parte da água subterrânea destina-se ao abastecimento público. No Estado de São Paulo, nada menos que 80% dos municípios dependem desse recurso, parcial ou integralmente (Giraldi, A., Unespeciencia, maio de 2013, Disponível em: http://revista.rebia.org.br/agua/276-a-agua-que-ninguem-ve).

Quanto à água subterrânea, chama-se a atenção a sua superexplotação, chegando a ocorrer cidades com subsidência do solo superficial, e também a questão de que o que ocorre na superfície do solo afeta a água que se encontra oculta nas rochas do subsolo. Assim, não tem como separar a gestão dos recursos hídricos subterrâneos ou superficiais do uso e ocupação do solo, principalmente em áreas com atividades agrícolas, industriais, e de armazenamento de combustíveis, resíduos, ou quaisquer outras substâncias anômalas que possam potencialmente ter contato direto com o solo.

Além da interação solo superficial/subsolo e água subterrânea, pode ocorrer a interconexão entre os rios e os lençóis freáticos ou subterrâneos adjacentes, dependendo da permeabilidade entre estes meios e das diversas camadas geológicas existentes. O clima faz parte e sempre está influenciando diretamente o fluxo hídrico através do ciclo hidrológico. Em estações climáticas de alta pluviosidade, as águas subterrâneas tendem a realimentar os rios a partir dos solos e rochas, constituindo o denominado regime efluente (NASCIMENTO, et al, 2007), onde os rios recebem água da zona saturada do aquífero. Já em estações quentes (climas áridos ou secos) ou estações de baixa pluviosidade, em geral, as águas migram dos rios para o interior dos solos e das rochas (regime influente), além claro, do fluxo atmosférico da água pela perda por evaporação.

Desta forma, apesar da dissociação histórica da água superficial e subterrânea, A Água é Uma Só. Começa aí a solução do problema:

A equação se resolve com o entendimento do sistema rio/aquífero, a sua interconectividade,- seja somente do ponto de vista de capacidade de armazenamento ou fluxo hídrico – ou a sua interdependência quanto à qualidade em relação a qualquer atividade humana desenvolvida da superfície do planeta água.

A água como solvente universal pode propiciar a formação de eventual pluma de contaminação cruzada entre os dois mananciais, superficial e aquífero. De uma forma ou outra, ou todas, a gestão integrada deve ser com base no modelo conceitual da unidade de gestão – rio/aquífero/uso do solo.

Créditos: Dra. Beatriz Inês Almeida Kaipper

09/02/2019

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